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Arma secreta é capaz de criar a sensação de “cabeça explodindo”

Investigação aponta que os EUA testaram dispositivo ligado à Síndrome de Havana, mistério que afetou diplomatas americanos em 2016.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Hasteamento da bandeira americana em Cuba
Fonte da imagem: REUTERS/Pablo Martinez Monsivais/Pool

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Em janeiro deste ano, durante a operação americana que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro, soldados venezuelanos relataram algo perturbador.

"De repente, senti como se minha cabeça estivesse explodindo por dentro. Todos nós começamos a sangrar pelo nariz. Alguns vomitavam sangue. Caímos no chão, incapazes de nos mover", disse um dos militares.

Os sintomas descritos não eram novidade para quem acompanha um dos maiores mistérios da inteligência americana: a Síndrome de Havana.

O que é a Síndrome de Havana?

Em 2016, um grupo de diplomatas americanos em Havana, capital cubana, começou a sentir algo que não conseguia explicar.

Dores de cabeça que não passavam. Tontura e zumbido nos ouvidos, perda de visão, confusão mental. Os médicos não encontraram causa e o governo não deu respostas.

Nos anos seguintes, o mesmo padrão se repetiu em lugares completamente diferentes: Viena, Moscou, Istambul e Washington.

Funcionários de diferentes agências, em diferentes países, descreveram as mesmas sensações. Ao menos dois episódios foram registrados dentro dos jardins da Casa Branca.

O governo americano batizou o fenômeno de "episódios anômalos de saúde", uma expressão técnica e vaga o suficiente para não apontar culpados.

A arma que o governo não queria admitir

Em março de 2026, o programa investigativo 60 Minutes, da CBS, revelou o que muitas vítimas suspeitavam há anos: os Estados Unidos compraram, em 2024, um dispositivo capaz de causar exatamente esse tipo de lesão.

A operação secreta custou cerca de R$78,75 milhões, financiados pelo Pentágono, e envolveu agentes infiltrados que adquiriram o equipamento de uma rede criminosa russa.

O dispositivo é portátil e silencioso, não gera calor e pode ser operado por controle remoto a centenas de metros de distância.

Atravessa paredes e janelas. Seus componentes foram fabricados na Rússia, e a chave do seu funcionamento está em uma programação que gera ondas eletromagnéticas pulsadas capazes de interferir diretamente na atividade elétrica do cérebro.

O equipamento foi testado por mais de um ano em laboratório militar americano. Experimentos com ratos e ovelhas produziram lesões compatíveis com as relatadas pelas vítimas humanas.

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Possível origem soviética

O Dr. David Relman, professor de medicina da Universidade de Stanford que liderou duas investigações para o governo americano, explica que a antiga União Soviética desenvolveu pesquisas extensas sobre os efeitos de micro-ondas pulsadas no organismo humano.

Os efeitos iam desde convulsões e perda de consciência até dores de cabeça, desorientação e lapsos de memória. Tudo documentado. Tudo sistematizado.

"Os russos descobriram que os efeitos podiam variar desde perda de consciência a convulsões, lapsos de memória, incapacidade de concentração, dores de cabeça, muitas das coisas que ouvimos dos relatos das vítimas", disse Relman ao programa.

O governo americano resistiu em reconhecer a causa dos ataques. Em 2023, a comunidade de inteligência declarou publicamente ser "muito improvável" que os casos fossem resultado de ação de um adversário estrangeiro.

Vítimas foram chamadas de delirantes. Uma funcionária da CIA chegou a simular um derrame em tom de deboche durante uma reunião interna, segundo um ex-agente que abandonou a investigação indignado.

De acordo com um ex-agente americano, o motivo era que reconhecer um ataque sistemático da Rússia contra funcionários americanos equivaleria, na prática, a uma declaração de guerra, algo para o qual o governo não estava disposto.

A existência do dispositivo, agora confirmada por fontes de múltiplas agências, reacende o debate sobre o destino das vítimas, muitas delas com sequelas permanentes, aposentadas precocemente e sem reconhecimento oficial.

Marc Polymeropoulos, ex-oficial da CIA condecorado que afirma ter sido atacado em Moscou em 2017, relatou que o sentimento é de uma geração de funcionários abandonados pelo próprio governo.

"Trabalhei 26 anos para a CIA. Só precisava de atendimento médico quando voltei e nem isso me deram."

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