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Política•5 min de leitura

Vorcaro e ex-presidente do BRB são indiciados no Caso Master. O que isso significa?

Indiciamento não significa condenação nem transforma investigado em réu. Relatório da PF ainda será submetido às próximas etapas do processo.

Por
Gabriel Costa
•Publicado em
Homem de terno concede entrevista ao lado de janela com persianas
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Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa foram indiciados pela Polícia Federal nesta quarta-feira (28), em mais um desdobramento do Caso Master, um dos maiores escândalos financeiros do Brasil.

Ao todo, a PF indiciou 15 pessoas em um relatório de 703 páginas. A investigação trata da venda de R$12,2 bilhões em carteiras de crédito do Master para o BRB entre dezembro de 2024 e abril de 2025. Para a PF, esses créditos não existiam de verdade.

Pelo contrato, os créditos deveriam ter sido gerados pelo próprio Master. Depois, o banco admitiu que terceiros participaram da operação e passou a dar versões diferentes sobre a origem.

Primeiro, citou duas associações da Bahia. Mais tarde, atribuiu os créditos à Tirreno, uma empresa que, segundo a perícia, não tinha estrutura nem dinheiro para movimentar valores bilionários.

Vorcaro foi indiciado por:

  • gestão fraudulenta;

  • prestação de informação falsa;

  • fraude;

  • lavagem de dinheiro;

  • organização criminosa, na qual a PF aponta que ele teve papel de liderança.

Costa responde por gestão fraudulenta e organização criminosa, também com papel de liderança.

Segundo os investigadores, os dois participavam das principais decisões envolvendo as operações entre os bancos. A lista inclui ainda diretores do Master, dirigentes do BRB, operadores de empresas de fachada e um advogado.

Para a PF, os dirigentes das duas instituições agiram “em conluio” e deixaram de cumprir regras básicas, como comprovar que os créditos negociados realmente existiam.

O indiciamento não significa que eles foram condenados. Significa que a Polícia Federal encontrou indícios de possível participação nos crimes investigados.

A investigação continua, e a responsabilidade de cada envolvido ainda precisa ser avaliada pela Justiça.

O que acontece agora?

A investigação do Caso Master ainda não terminou. A Polícia Federal pediu mais 60 dias para concluir perícias e reunir informações complementares.

O pedido será analisado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Depois que a investigação for concluída, o Ministério Público analisará as provas e decidirá se apresenta uma denúncia, pede o arquivamento ou solicita novas diligências.

Se houver denúncia, o STF precisará decidir se aceita a acusação. Somente depois disso os investigados passarão a responder como réus, com direito à defesa e à apresentação de provas.

O indiciamento, portanto, não significa que alguém foi condenado. É uma conclusão da Polícia Federal durante a investigação, que ainda precisa passar pela análise do Ministério Público e, eventualmente, pelo julgamento da Justiça.

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