O ministro havia sido sorteado como relator um mês depois de ter sido retirado do caso.

Dias Toffoli se declarou suspeito nesta quarta-feira (11) para analisar a ação que pede a instalação da CPI do Banco Master na Câmara dos Deputados.
Ele havia se tornado o relator da ação após sorteio. O processo foi movido pelo deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), ex-governador do Distrito Federal e integrante da base do governo Lula.
Ele quer que a comissão investigue as irregularidades na negociação da compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
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O sorteio ocorreu menos de um mês depois de Toffoli deixar a relatoria do caso Master, em 12 de fevereiro.
Ele foi afastado do caso após o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, entregar a Fachin um documento de 200 páginas com indícios de conexões entre Vorcaro e Toffoli que poderiam configurar suspeição.
Nos documentos entregues constava o pagamento de R$35 milhões pelo banco de Vorcaro por uma fatia do resort Tayaya, do qual o próprio ministro admitiu ser sócio.
"Toffoli não deveria receber essa relatoria do mandado de segurança exatamente pelos motivos pelos quais abriu mão do inquérito", disse ao blog O Globo uma fonte que acompanha de perto as investigações.
Na ocasião, 8 ministros estavam convictos de que Toffoli deveria permanecer na relatoria e 2 indicaram que não.
Houve a troca de relator e a divulgação de uma nota dizendo que não havia qualquer impeditivo técnico ou legal para que Toffoli seguisse no caso, o que manteve de pé as decisões tomadas por ele até aquele momento.
A passagem de Toffoli pela relatoria do caso Master foi marcada por atritos com a Polícia Federal. O ministro chegou a acusar a corporação de "inércia" e "falta de empenho" na execução de uma fase da operação.
Os investigadores rebateram, alegando que ainda não tinham os endereços corretos dos alvos.
Toffoli determinou que os depoimentos de Vorcaro, do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e do diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, fossem realizados no próprio STF.
Chegou ainda a convocar um confronto de versões antes mesmo de colher os depoimentos individuais.
Em janeiro, numa das decisões mais contestadas do período, Toffoli ordenou que todo o material apreendido pela PF fosse lacrado e armazenado no Supremo.
Depois recuou e mandou o material à Procuradoria-Geral da República, mas numa medida atípica, escolheu a dedo os quatro peritos da PF autorizados a analisá-lo.
Este é mais um episódio envolvendo o Banco Master. Um caso de muitas camadas que acabam se perdendo em tantas manchetes que surgem a cada dia.
E para entender o que realmente aconteceu, é preciso ir além das manchetes.
A Brasil Paralelo explica o que está por trás desse cenário em sua nova produção: Raio-X Banco Master.
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