A influenciadora Carol Borba afirmou que mistura whey na mamadeira da filha de três anos, e a fala gerou uma resposta da Sociedade Brasileira de Pediatria.

O hábito começou como algo comum na rotina fitness de uma influenciadora. Mas acabou abrindo um debate nacional sobre alimentação infantil.
Carol Borba afirmou em um podcast que costuma dar whey protein e pequenas quantidades de creatina para a filha de três anos. Ela disse que o suplemento é misturado ao leite da mamadeira, geralmente antes de dormir.
A fala viralizou nas redes sociais.
Enquanto parte do público defendeu a prática como uma alternativa “mais saudável” do que produtos com excesso de açúcar, especialistas passaram a alertar para os riscos da suplementação precoce.
Dias depois da repercussão, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou uma nota oficial afirmando que não há indicação para o uso rotineiro de whey protein e creatina em crianças e adolescentes saudáveis.
De acordo com a entidade, o excesso de proteína pode provocar sobrecarga renal, hepática e metabólica no organismo infantil.
O documento afirma que muitas crianças já consomem mais proteína do que o necessário apenas com a alimentação normal. Por isso, acrescentar suplementos não traz benefício comprovado e ainda pode gerar riscos.
Outro ponto destacado pelos pediatras é que esses produtos costumam ser ultraprocessados, com adição de corantes, aromatizantes, adoçantes e emulsificantes.
A SBP afirma que a introdução precoce desses suplementos pode alterar a relação da criança com a alimentação, substituindo refeições e incentivando uma lógica de performance corporal desde cedo, muitas vezes impulsionada pelas redes sociais.
Na entrevista, Carol Borba afirmou que pesquisou o tema antes de introduzir os suplementos na rotina da filha.
Também disse que a criança não costuma exagerar em doces e que vê o whey como algo semelhante a um “leite com chocolate”.
Durante a conversa, a influenciadora Juju Salimeni defendeu a prática e questionou por que as pessoas se incomodariam com whey, mas não com achocolatados industrializados.
A Sociedade Brasileira de Pediatria afirma que suplementos proteicos podem ser utilizados apenas em situações clínicas específicas, como desnutrição, doenças crônicas, síndromes de má absorção ou aumento da demanda metabólica.
Nesses casos, o uso deve acontecer com acompanhamento profissional.
Para crianças saudáveis, a recomendação continua sendo uma alimentação variada, baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, como carnes, ovos, leite, frutas, legumes e cereais.
O tema da alimentação já foi debatido no Conversa Paralela. Arthur Morisson e Lara Brenner receberam o chef Davi Laranjeiras e a médica nutróloga Dra. Priscila Antunes para discutir mitos e verdades sobre alimentação.
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