Cláudio Castro é acusado de abuso de poder econômico nas eleições de 2022. A defesa nega as acusações.

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, pode perder o mandato e ficar inelegível por oito anos.
O TSE retoma nesta terça-feira (10) o julgamento que pede sua cassação por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
O caso foi aberto em novembro do ano passado, quando a ministra relatora Isabel Gallotti votou pela cassação de Castro.
O julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Antônio Carlos Ferreira, que será o próximo a votar.
As acusações têm origem em reportagens que revelaram contratações irregulares feitas pela Fundação Ceperj e pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a Uerj.
Segundo o Ministério Público Eleitoral, o governo Castro contratou mais de 18 mil pessoas em cargos secretos, que nunca foram publicados no Diário Oficial.
Os contratados teriam atuado como cabos eleitorais de deputados federais e estaduais durante a campanha de 2022.
Entre setembro de 2021 e julho de 2022, esses funcionários sacaram ao menos R$248 milhões em dinheiro vivo em agências bancárias.
Parte desse dinheiro, segundo as investigações, foi repassada a operadores políticos.
O valor total gasto com os servidores temporários no primeiro semestre de 2022 chegou a R$519 milhões, quase 30 vezes o teto de gastos de campanha do governo.
Uma planilha elaborada pela Secretaria de Trabalho recebeu o nome de "governador" e tratava do orçamento para 9 mil cargos secretos.
Após ser revelada pela imprensa, o governo chegou a colocar o arquivo sob sigilo, mas voltou atrás.
O advogado de Castro afirmou que o governador apenas sancionou uma lei da Assembleia Legislativa e um decreto para regulamentar a atuação da Ceperj, e que não pode ser responsabilizado por eventuais irregularidades.
Se Castro for cassado, o comando do estado passa temporariamente para o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, até que novas eleições sejam realizadas.
Isso porque o vice-governador deixou o cargo em maio para assumir vaga no Tribunal de Contas do Estado e o presidente da Alerj está afastado por causa de uma operação policial.
O governador e o vice serão escolhidos por votação indireta na Assembleia Legislativa, para cumprir um mandato até dezembro.
Castro já disse que pretende disputar uma vaga no Senado pelo PL nas eleições de outubro.
Para isso, precisará deixar o cargo até o dia 4 de abril. Cinco ministros do TSE ainda não votaram e há possibilidade de um novo pedido de vista, o que adiaria ainda mais a decisão final.