Devido ao lançamento da série A Sétima Arte, não teremos os programas diários nessa semana. Retornaremos com a programação normal no dia 01 de novembro.

As dificuldades na favela não impediram Elias de se desenvolver. Veja uma história de superação sem vitimismo

"Espero que essa mensagem chegue num jovem lá da favela e que dê força pra ele não desistir. Só depende dele ser uma pessoa melhor e crescer, sem vitimismo, sem lacração."
Comunicação Brasil Paralelo
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17/1/2022

Em entrevista, Elias Medeiros, colaborador da Brasil Paralelo, conta um pouco de sua vida pessoal e trajetória profissional na esperança de que seu exemplo motive cada vez mais pessoas. 

“Eu cresci numa favela chamada Monsenhor, no Jardim Clímax. Minha mãe tinha 17 anos e era auxiliar de limpeza; na época meu pai era pastor de uma Igreja evangélica e nós morávamos na casa que era dedicada para isso nessa Igreja. Um certo dia, eles se separaram e para ele poder permanecer na casa precisava ser casado; em decorrência disso, tivemos que sair da casa.
Minha mãe utilizou todo o dinheiro dela do FGTS para comprar um barraco e pra lá me fui com ela. Era uma casa de madeira, com 2 andares e nenhum móvel. Só uma torneira com uma bacia no chão. Não tinha nem privada, só um buraco no chão onde fazíamos as necessidades e jogávamos água no buraco. Depois de um tempo, felizmente eles reataram o casamento e pudemos melhorar um pouco a estrutura da casa.”

Inicialmente, Elias sonhava em ser jogador de futebol e ter uma chuteira da Nike. Com essas motivações, decidiu que precisava ganhar dinheiro. Trabalhou como flanelinha, conseguiu comprar a chuteira da marca, mas acabou largando o futebol profissional. Apenas joga eventualmente no BP Futebol Clube - que se reúne semanalmente.

Primeiros colaboradores da Brasil Paralelo a formar o time de futebol da empresa

Nenhuma dificuldade familiar foi motivo para não estudar. Elias completou seus ciclos de estudo em escolas públicas e foi além. Seu pai havia ganhado um computador e ele usava a internet para buscar mais conhecimento. Não durou muito e o computador queimou.

Seu pai parcelou um novo em 24x no carnê - pois havia lhe prometido que faria de tudo para que não fosse para o crime, as drogas e a vida de meliante. Graças a esse computador novo ele conheceu a Brasil Paralelo.

“A primeira série a que assisti foi Teatro das Tesouras e depois a Última Cruzada - já vi umas 5 vezes. Isso abriu minha cabeça para procurar mais sobre política e entender melhor o que se passa.”

Concluído o Ensino Médio, Elias conseguiu a primeira experiência com carteira assinada no Hipermercado Extra como caixa a fim de ajudar os pais. Aprendeu a ter paciência e resiliência para lidar com todos os tipos de clientes, bem como treinar pessoas - habilidade que aplica até hoje na Brasil Paralelo.

Mudando para o Carrefour, ambicionava tornar-se patinador, um tipo de supervisor de caixas. Dentre mais de 30 estações de checkout, chegou um ponto em que Elias via seu caixa cheio e o de seus colegas vazios. A preferência era por ele.

“Eu sempre trabalhei para ser o melhor. Era minha meta pessoal. Tinha que ser o atendente mais feliz, que mais faturava, que fazia tudo mais rápido - tinha que ser um profissional completo. Ficava nervoso comigo mesmo quando não conseguia ser o melhor.”

O começo na Brasil Paralelo

Quando Elias encontrou um post da BP com anúncio de vagas, mandou seu currículo. Mandou, mas não tinha expectativas de ser chamado. 

“Como uma empresa cheia de pessoas inteligentes iria chamar um cara que tinha no currículo dois supermercados e um curso no SENAC (Técnico em Administração)?”

Para sua surpresa a ligação com o convite para a entrevista aconteceu. Quem ligava era Felipe.

Eu senti uma felicidade muito grande, o intangível ficava tangível. Eu iria conhecer os caras que eu via nos documentários - ao menos teria esse privilégio, caso não passasse.” 

Elias foi pessoalmente fazer a entrevista na Vila Olímpia, onde ficava o escritório da BP na época. Estava ansioso por ver o “loirinho dos documentários”, já que ele tinha ligado e agendado a entrevista. 

Quão surpreendente foi ver que não se tratava de Filipe Valerim, mas quem o chamou foi o Felipe Benke, futuro apresentador do programa Investigação Paralela, junto a Henrique Zingano. Elias não esperava por essa, mas passou no crivo de seu futuro mentor.

A segunda etapa foi com o Lucas Ferrugem. Aprovado, começou a trabalhar com atendimento, migrando em seguida para vendas.

No dia 07 de setembro de 2019 a BP realizava um evento presencial em São Paulo e todo o time se envolveu na organização. 

Eu era responsável por cuidar da circulação das pessoas no salão e das portas de acesso exclusivo aos funcionários. Chegou uma moça na minha direção querendo passar justamente naquela porta e eu barrei ela. No fim do dia descobri que essa pessoa era a esposa do Henrique Viana (risos).”

Por ocasião do lançamento do Pátria Educadora, trabalhou por 35 horas seguidas sem dormir. 

“Durante essa campanha eu vi que a empresa que tinha me despertado para não ser vitimista precisava muito de todos nós. Ali eu trabalhei com todas as minhas forças, pois sabia que não faria parte do plano B (que era voltar para Porto Alegre).

Treinador, vendedor e modelo

Hoje, Elias é responsável por treinar todos os que começam no time Comercial da Brasil Paralelo. Ensina a técnica de vendas baseada na metodologia da escola do Flávio Augusto (Wise Up). São de 4 a 5 dias na parte teórica, seguidos de cerca de um mês de prática com o seu acompanhamento.

“Eu pergunto bastante sobre a vida da pessoa, para conhecê-la bem. É uma forma de ajudar no desenvolvimento dela ao máximo. Nosso diferencial é despertar no vendedor todos os valores da BP no processo de vendas, da Verdade à Arte. O valor da Verdade é o mais reforçado, como não mentir para o cliente com o intuito de vender mais etc.”

Diariamente, Elias se reúne com os vendedores, discute os resultados do dia anterior, pontos positivos e negativos e fecha com a meta do dia. Também ajuda o time de planejamento comercial com insights sobre o dia a dia de vendas e, quando sobra tempo, também vende. 

“Não dá pra abandonar 100% o operacional, se não a gente vira técnico querendo jogar bola sem prática, só com teoria. É a melhor forma de dar o exemplo aos treinandos”.
Time comercial da Brasil Paralelo

Mais de 50 pessoas passaram pelas mãos do jovem Elias.

Tudo o que passo no treinamento é um resumo de mais de 2 anos de muito trabalho, empenho e dedicação. Eu fico muito orgulhoso de ver um vendedor estourar as metas e, mais do que vender, ver as pessoas se desenvolverem me preenche demais.”

Os seus grandes mentores foram o Felipe Benke e o Flávio Barretto. 

O Benke acreditou no meu potencial e me ensinou não só a técnica de vendas, mas especialmente sobre os valores da BP. Se hoje consigo passar adiante para os novos, é graças a ele. O Flávio confiou a mim a missão de treinar o time que ele estava construindo, sempre me dando feedbacks construtivos e me provocando a ir mais além. Tenho uma imensa gratidão por eles”.

Uma curiosidade é que Elias também foi o modelo que se vê no cartaz do documentário Donos da Verdade, de 2020.

Elias Medeiros na capa do cartaz de "Os Donos da Verdade"

Como é trabalhar na BP?

Eu mais aprendo do que ensino, pois trabalhar na BP é aprender todos os dias. Aprendo com meus colegas, com os sócios fundadores, com os clientes. A gente se torna uma pessoa melhor a cada dia que passa e isso não é uma frase clichê. Você se torna uma pessoa virtuosa aqui dentro.
O lance de salários, benefícios, crescer profissionalmente tu consegues em qualquer empresa, mas crescer como pessoa não é qualquer empresa que te proporciona.
Eu me tornei melhor com minha família, amigos, namorada. Meu maior aprendizado foi aqui dentro. Todos os dias eu escuto histórias incríveis de membros, de vendas difíceis, de pessoas que tiveram suas vidas mudadas pela Brasil Paralelo. E isso me emociona muito, pois assim como a BP mudou a vida dessas pessoas, também mudou a minha. Cada assinatura vendida é uma família impactada.
Hoje minha família ainda mora na favela. Já conseguimos reformar a casa e com muito orgulho consegui ajudar nisso, sempre tento dar melhores condições pra eles. Eu ainda vou tirá-los de lá, pode escrever.
Fico feliz de poder contar minha história nessa matéria, espero que chegue num jovem lá da favela e que dê força pra ele não desistir. Só depende dele ser uma pessoa melhor e crescer, sem vitimismo, sem lacração. É ter foco e trabalhar muito. O resultado sempre vem.”
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