Ataque de drone danificou estrutura que protege resíduos radioativos, e reparos bilionários ainda serão necessários.

Quarenta anos após o pior acidente nuclear da história, Chernobyl ainda convive com um risco que o mundo imaginava ter deixado para trás.
Isso porque o local segue repleto de resíduos radioativos e a usina, hoje desativada,está no centro de um território disputado entre Rússia e Ucrânia.
O risco se tornou real em fevereiro de 2025, quando um drone atingiu o arco de proteção conhecido como Novo Confinamento Seguro, estrutura construída em 2016 para isolar o reator destruído.
O impacto provocou um incêndio entre duas camadas do revestimento e danificou a membrana que selava o local. Nenhum vazamento de radiação foi registrado.
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A Rússia negou envolvimento e afirmou que a Ucrânia teria promovido uma provocação.
Para Denys Khomenko, vice-diretor de operações técnicas da usina, o episódio mostrou que o perigo continua real.
Ele está entre os cerca de 2.250 funcionários que ainda trabalham em Chernobyl para manter o local seguro. A usina fica a cerca de 100 quilômetros de Kiev e chegou a ser ocupada por tropas russas nas primeiras semanas da guerra.
Hoje, guardas nacionais patrulham a área, e muitos funcionários enfrentam viagens de até seis horas para chegar ao local. Antes da guerra, o trajeto levava uma fração desse tempo.
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O arco de proteção construído sobre o reator custou cerca de 2 bilhões de euros e foi projetado para durar um século. Agora, precisa de novos reparos urgentes.
O Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento estima que a recuperação pode custar pelo menos 500 milhões de euros, cerca de R$2,9 bilhões.
A presidente do banco, Odile Renaud-Basso, alertou que a corrosão pode comprometer toda a estrutura.
Dentro do arco metálico, ainda permanece o antigo sarcófago construído às pressas pela União Soviética em 1986. A estrutura está enferrujada, mas segue intacta.
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Na madrugada de 26 de abril de 1986, o reator explodiu e lançou até 200 toneladas de material radioativo na atmosfera.
A Agência Internacional de Energia Atômica estima que cerca de 4 mil pessoas morreram em decorrência do desastre. A nuvem radioativa atravessou Ucrânia, Belarus, Rússia e alcançou partes da Europa e dos Estados Unidos.
O desastre também mudou a indústria nuclear global.
Após o silêncio inicial da União Soviética, tratados internacionais passaram a exigir comunicação imediata em acidentes nucleares e ampliaram protocolos de segurança.
Quatro décadas depois, Chernobyl continua sendo um símbolo do passado e um alerta sobre novos riscos.
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