Arthur Morisson
Área Restrita - Sou responsável pelo que escrevo, não pelo que você entende.
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Menos democracia no meu Whopper, por favor

Por 
Arthur Morisson
4/13/2022
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Você pode não ter se dado conta disso ainda, mas hambúrgueres são escolhidos de forma anárquica e individualista.

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- Qual o seu pedido, senhor?

- Eu vou querer o trio do Whopper, por favor.

- Senhor, devo lhe informar que, devido à nova política democrática instituída na empresa, fizemos uma votação on-line pra quem quisesse participar e venceu o Whopper Furioso com bastante pimenta.

- E daí?

- E daí que o senhor terá que optar por esse hambúrguer, tudo bem?

- Mas, mas... eu nem votei. Isso é um absurdo!

- Senhor, pra sermos justos, nós ouvimos a opinião de todos, e a maioria decidiu que o Whopper Furioso era o ideal.

- Mas o que eu tenho a ver com isso? Eu nem como pimenta!

- Eu só cumpro ordens, senhor...

- Eu só quero a droga do meu lanche!

- Um trio do Whopper Furioso, então?

- NÃO! Um trio do Whopper normal, o clássico, sem pimenta!

- Não será possível, senhor...

- Certo, e quanto tempo vai levar essa palhaçada “democrática”?

- 4 anos.

A GAFE COMERCIAL 

Nas últimas eleições presidenciais, foi lançado um comercial da rede de fast-food Burguer King, no qual eles tentaram criar um argumento para mostrar toda a magia e beleza da participação eleitoral. 

O comercial mostrou como a democracia é linda e importante, como você deve votar conscientemente, observar as propostas de cada candidato, e participar da escolha do melhor representante, aquele que guiará nossa soberana nação pelos próximos 4 anos.

O comercial é até interessante, não fosse por um detalhe: é totalmente possível interpretar justamente o contrário do objetivo proposto.

Assista abaixo o comercial antes de continuarmos nossa conversa:

Como você acabou de ver, a propaganda começa mostrando o descrédito de algumas pessoas com a política nacional. Não é para menos: basta assistir a 15 minutos de qualquer debate entre candidatos para comprovar isso. Qualquer semelhança com o finado Zorra Total é mera coincidência. 

Se essas figuras aí são as mais capacitadas para comandar um país, não quero tomar conhecimento de quem são as menos capacitadas.

Voltando ao comercial, após votarem em branco, os participantes recebem um hambúrguer apenas com pão e cebola, e uma frase de efeito aparece:

“Quando alguém escolhe por você, não dá pra reclamar do resultado.”

Uau! Todos agora estão in shock. Shoraste?

Logo no fim do vídeo, um jovem afirma que “seria bem ruim 4 anos desse lanche”.

Ora, meu lírio do campo, mas é EXATAMENTE ISSO QUE ACONTECE numa democracia!

Mesmo votando no seu candidato, caso ele não vença, outros escolherão no seu lugar.

Não importa se eu entrei ou não no site do BK e votei no Whopper clássico, quem venceu foi o Whopper Furioso, lembra?

Ou eu aceito ingerir o hambúrguer apimentado, ou passo fome. Não há outra alternativa.

#ELENÃO #ELESIM

De uns anos pra cá, a internet foi tomada por uma disputa política, ideológica e social. Grupos totalmente polarizados se formaram travando uma batalha sem fim numa verdadeira guerra virtual.

Lembram do Dilma x Aécio em 2014? Agora é muito pior. Os ânimos estão mais exaltados. O foco principal dessas eleições é o candidato Jair Bolsonaro e o possível retorno do PT.

Os demais candidatos são irrelevantes. 

“Ain, mas e o Moro?”
Irrelevante.

“Ain, mas o Ciro vem forte aí...”
Ô, Ciro já virou! Confia.

“Ain, mas a Marina ressuscitou dos mortos e agora vai...”
Sim, vai voltar pra caverna de onde estava hibernando.

A verdadeira dicotomia está entre os que querem manter Bolsonaro como presidente e os que odeiam Bolsonaro e preferem qualquer outro em seu lugar, mesmo que a opção restante seja, por exemplo, um ex-presidiário condenado.

Se você ainda não enxergou que as eleições presidenciais deste ano serão assim, volte duas casas.

O POVO NO PODER?

As divergências políticas acabam gerando discussões desnecessárias, que geram ofensas e xingamentos, que causam o fim de amizades e um rancor contraproducente.

É lamentável testemunhar longas amizades sendo rompidas por conta de burocratas engravatados que sequer sabem quem somos, o que comemos, quais são os nossos nomes e o que fazemos da vida.

Para mim, a verdade é que todos eles estão cagando um balde cheio pra você e pra sua família. 

Bolsonaro e o Lula não são seus amigos. Por que você acredita que eles moverão uma palha sequer por você? Sua mãe, que te criou e pensa diferente de ti, essa sim estará contigo no hospital quando você comer aquele leitão à pururuca e passar mal. E, mesmo assim, você discute com ela por não defender o mesmo político de estimação que você.

Não lhe parece minimamente bizarro e irracional?

Por que esse clima de guerra? Afinal, a democracia não é o supremo sistema que os brasileiros se orgulham tanto de ter alcançado?

O que estamos testemunhando é uma consequência direta e inexorável da democracia.  

Dado que o Estado é um inerente gerador de conflitos, o processo eleitoral democrático inevitavelmente transfere a característica antissocial do Estado para as pessoas, e essa característica fica em maior evidência naqueles que mais se engajam na política.

Imagine que Bolsonaro seja eleito no primeiro turno, com 51% dos votos.

Isso significa que literalmente METADE do país não quer ele como presidente.

Você, militante de esquerda progressista, engajado nos coletivos sociais, feminista e maconheiro, agora vai ter que aturar o inominável por 4 anos guiando o país.

Por outro lado, o inverso também ocorre.

Afirmar que nós, o povo, comandamos o país em um regime democrático faz tanto sentido quanto acreditar que “Socialismo e Liberdade” na bandeira do PSOL podem coexistir na mesma frase.

Fala sério, você já é bem grandinho para acreditar nessas coisas… 

Já refletiu que não adiantou votar consciente, votar certo, votar defensivamente, etc? 

Preste atenção: você que vota no Bolsonaro pensa EXATAMENTE A MESMÍSSIMA COISA que o eleitor que vota no Lula, e vice versa. Ambos acreditam estar escolhendo o melhor candidato.

É ilusão votar no menos pior, dado que TODOS votam naquele que julgam ser a melhor opção.

“Você pode escolher esse hambúrguer aqui, com carne de minhoca, ou aquele outro com molho de jiló... a escolha é sua, mas entre minhoca e jiló, aconselho ir no jiló”

Essa parece ser a solução mais óbvia, mas está longe de ser a melhor.

“Desculpe, Espantalho, mas todos nós votamos e a maioria decidiu que isso é justo”.

ABANDONE ESSA IDEIA

“Um homem não é menos escravo porque ele está autorizado a escolher um novo mestre de vez em quando.” Lysander Spooner

Você pode não ter se dado conta disso ainda, mas hambúrgueres, por exemplo, são escolhidos de forma anárquica e individualista. Ninguém decide o lanche por você ou obriga você a pagar. 

Você gasta o SEU dinheiro no SEU pedido baseado no SEU gosto pessoal.

Não gosta de picles? Ok, direito seu. Eu quero mais picles, por favor.

Agora imagine se toda a fila do Burguer King votasse individualmente num tipo de hambúrguer e o vencedor tivesse que ser o pedido de TODOS os presentes em vez de ser como é: com cada um escolhendo o seu, e pagando pelo seu. 

Que confusão seria, não?

Pessoas são indivíduos, e indivíduos são diferentes. Lide com isso.
Impor suas vontades sobre os demais pode ser bom enquanto é você quem está no comando.

Acredite. Pode não ser nada divertido quando for minha vez de impor vontades.

O comercial deixa claro que a melhor solução seria deixar cada um gastar o seu próprio dinheiro livremente, escolhendo o lanche que preferir, sozinho.

Se você está tentando impor sua escolha sobre os outros, seja essa escolha qual for, você está errado.

Uma porcentagem numérica, por maior que seja, NÃO confere poder superior a ninguém. Ninguém pode magicamente delegar direitos que não possua. Se eu não posso invadir sua casa e definir as regras de como você deve viver, que autoridade eu tenho pra eleger alguém que pode fazer isso?

Se muitas pessoas acreditam em uma coisa, isso não a torna verdadeira. 

Há muitos exemplos de ilusões coletivas no passado. Por exemplo, as pessoas costumavam pensar que os animais não sentiam dor ou que o rei ou imperador era o representante de Deus na Terra. Tem gente que acredita até hoje que o SUS é gratuito.

Uma ideia não se torna moralmente correta ou justa, só porque muitas pessoas são a favor dela. Pense em todos os crimes coletivos que foram cometidos por pessoas no passado. Abominações como a escravidão ou a perseguição aos judeus foram consideradas perfeitamente aceitáveis pela maioria das pessoas.

Percebe onde esse coletivismo pode nos levar?

É vital para a liberdade que as pessoas comecem a pensar além da democracia.

Libertários não querem impor à força seu destino aos perdedores (e ausentes) de uma eleição. Somos a favor de cada indivíduo escolher o seu destino, onde cada um faça o que quiser com seu próprio dinheiro e sua propriedade. 

Enquanto todos parecem estar inebriados com o circo eleitoral e se ocupam de defender o melhor hambúrguer (ou o menos pior), os libertários seguem dizendo o que realmente importa: 

NÃO QUEREMOS OBRIGAR NINGUÉM A COMER UM LANCHE QUE NÃO QUEIRAM!

A democracia nada mais é que a ditadura da maioria, suprimindo as liberdades individuais e gerando cizânia social.

Já passou do tempo de rever essa ideia.

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