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10 tipos de bigodagens que chamam de jornalismo hoje em dia

Por 
Rasta
4/11/2022
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Boa noite, embaixadores. Boa noite, rastos e rastas. Sejam bem-vindos ao Deixa Rasta, sua coluna semanal isenta de notícias.

O jornalismo brasileiro está cada vez mais escroto. Com o advento da internet, a teta da grande mídia está ficando cada vez mais seca.

No desespero de salvar os próprios fundilhos, as grandes publicações tentam se manter relevantes enquanto cortam despesas - usando uma mistura de cara-de-pau com patifaria e malabarismos linguísticos.

Estagiários cada vez mais incapazes produzem notícias de consistência flatulenta com títulos barulhentos. Estes verdadeiros peidos jornalísticos são tão abundantes que é possível até categorizar muitos deles e fazer um hall da fama dos embustes jornalísticos mais frequentes. Vou elencar os 10 tipos principais.

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1ª categoria: a Câmara de Eco

É muito comum ter um mesmo grupo de pautas sendo repetidas por jornais diferentes. Essa repetição vai se propagando e gerando uma falsa sensação de consenso de tanto ouvirmos os mesmos termos e jargões em veículos diferentes.

Esse eco vai engrossando até “evoluir” para a segunda categoria. 

2ª categoria: o “Jornalismo Internacional”

Entenda como surge uma matéria internacional sobre o Brasil. Assim são as colunas de opinião de correspondentes internacionais: 

Algum playboy brasileiro, vergonha da família de algum milionário de uma seara editorial de 3º mundo, passa a morar em Berlim ou Nova York. Ele consegue um emprego por QI e nas horas vagas entre um bacanal, uma ressaca e uma carreira de pó, vomita alguma opinião. Pronto, eis a coluna de opinião.

Na notícia, a manchete sai com o nome New York Times ou El País, mas se você olhar as letrinhas pequeninas ali, vai ver escrito “Opinião” e o nome de algum zé-das-couves, mas são os mesmos cocôs que você ouviria no próprio país.

Ou seja, algum jornalistazinho qualquer solta sua opinião flatulenta e usa da credibilidade de um jornal internacional. Em seguida, algum jornalista gringo endossa a cagada.

Jornalistas gringos reais ganham bem e conhecem o mundo de hotel, mas tendem a achar que somos “todos um” porque se aceita Visa em quase tudo quanto é canto das bolhas que eles visitam. Eles recebem suas informações dos meios brasileiros mais próximos e colocam suas próprias palavras.

No final das contas, as pessoas ficam alarmadas porque veem o nome de um grande jornal falando as mesmas merdas que se pode escutar por aí, achando que “o mundo” está tendo tal ou qual visão do Brasil.

Não é. Para o mundo, o Brasil ainda é apenas um lugar meio exótico que fala um mexicano estranho, conhecido por bundas, festas, futebol e carne. E a recíproca é verdadeira, não é porque aprendemos meia dúzia de factoides em aulas de Geografia que somos muito melhores que eles. Nossos jornalistas fazem exatamente a mesma coisa quando vão cobrir alguma matéria de outro país.

Vivemos nos entusiasmando quando o eco da nossa própria idiotice volta da cloaca de alguém.

Continuado, dos mesmos produtores de “ao chamar o elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado” vem aí “O Leitor."

3ª categoria: “O Leitor”

O jornal, por falta de alguma celebridade, roqueiro, cantora de funk, rapariga de BBB,  ator de hollywood, ou qualquer outro pagodeiro desses do qual ele possa pegar emprestada uma autoridade ou credibilidade que não possuem, a tal coluna do leitor vem para suprir essa falta com outro flatus vocis: "é muito triste ter um presidente assim, diz leitor"

A próxima categoria é uma das melhores.

4ª categoria: o jornalista exterminador do futuro, do pretérito

Esse jornalista faz uma acusação escabrosa sobre alguma pessoa e coloca no futuro do pretérito: “Grupos fascistas militaristas apoiados pelos Estados Unidos estariam se articulando para apoiar um possível golpe contra a democracia brasileira.”

Basicamente, usando o futuro do pretérito, eles podem peidar qualquer fake news e transmitir ideias da forma que quiserem.

Falando em futuro, vamos ao quinto colocado.

5ª categoria: o jornalista Pai de Santo Higuaín

Toda eleição é repleta de palpiteiros que fazem análises bombásticas de casos que não se concretizam. Tanto a eleição de Trump em 2016, como a de Bolsonaro, foram acompanhadas destas previsões mais acertadas que gol de Higuaín em final de copa do mundo.

Teve o vira vira do Ciro, o Haddad já desponta e a lista segue.

A próxima categoria também adora fazer estardalhaço na “festa da democracia”.

6ª categoria: o jornalista “i see nazis all the time”

O jornalista "I see nazis all the time" é aquele cara que fica forçando nazismo em tudo. Copo de leite sinal de OK, suástica desenhada errada por nazistas educados por Paulo Freire e tem até o caso daquela menina lá que arranhou uma suástica na barriga, a suástica de Taubaté. 

Nazismo é como o tempo em que ainda não havia teste de DNA. Dois gados tão pegando a mesma rapariga, quando ela engravida, o da esquerda diz que o filho é do da direita e o da direita diz que o filho é do da esquerda. Só que não tem o programa do Reichtinho pra resolver o barraco.

Tudo isso por quê? Porque o nazismo é o centro. Você aí que assiste filme com Sandra Bullock fica com aquele papo de miss simpatia "ai, é que a verdade está no meio". Eis o meio, o meio do orifício bostal da válvula cagaretana.

O nazismo é como aquele "paranga de maconha " que ninguém quer assumir. A esquerda fala que é de direita, parte da direita fala que é de esquerda e o nazismo fica ali.

Vamos agora para nossa sétima categoria, essa está mais alta que estudante de filosofia depois de uma hora no diretório acadêmico.

7ª categoria: o Mr. Magoo instituto de pesquisa:

Estamos agora diante de outra pérola do jornalismo. Tira-se uma hipótese absurda dos orifícios mais recônditos, uma que se quer empurrar para as pessoas goela abaixo, e simplesmente acrescenta-se  um "sugere estudo" ou "aponta estudo". 

Quem lê as notícias não tem tempo de analisar que tipo de estudo foi feito, se é isso mesmo que foi dito, mas como tem a palavra “estudo”, “pesquisa”, está doravante provado que é certo.

Os Charlinhos do planeta inteiro podem afirmar barbaridades como: “homens são prejudiciais ao planeta”, isso tudo é acompanhado da evocação da falsa expertise, os famosos "especialistas", que são nossa próxima categoria.

8ª categoria: os “especialistas”

Em qualquer ciência, temos o topo das investigações, que é feito por pessoas sérias, mesmo que povoado por dúvidas e mais dúvidas. Surge então uma das pragas da ciência moderna, que são os divulgadores científicos, como esses Neil Taison e Carlinhos Sagan, pessoas que não contribuíram em nada para a discussão, mas traduzem as discussões passadas numa linguagem para leigos.

Isso faz com que todos os maconheiros e apedeutas do planeta cometam duas atrocidades:

  1. achar que é possível acompanhar e até mesmo fazer parte do processo científico;
  2. acreditar que esse processo é feito das certezas mais inabaláveis do universo.

O jornalismo, então, passa a recrutar essa "autoridade". 

9ª categoria: o jornalista malabarista linguístico

Quando Guimarães Rosa imortalizava neologismos como hipotrélico ou incorubirúbil, com uma sonoridade e bom humor tão próprias da nossa língua, eu não sei se ele imaginaria a falta de talento das gerações futuras, com manchetes como: "ex-ex-gay" ou "como fazer oral em uma mulher trans não operada" ou ainda com “despiora”.

Essas manchetes nos levam à última categoria.

10ª categoria: grandes manchetes do jornalismo brasileiro

  • “Caetano atravessa rua no Leblon”;
  • “Brasil precisa de um jogador gay urgentemente”;
  • “Ágatha e Duda batem tchecas e são campeãs em hamburgo”;
  • “Se Isaías rema de um lado só, como a canoa segue reta?”;
  • “Mesmo sem falar nada, cantor Bruno é acusado de Machismo na web”;
  • “Ministério da Saúde Argentino destina 13 milhões de pesos para a compra de 10 mil pênis de madeira”.

Fake news é liberdade de expressão!

No meio desse pardieiro todo, surge a tal da discussão das Fake News, do jornalismo imparcial, da "democratização da informação" e outros títulos vagos que podem significar qualquer coisa e, que, uma vez legislados, dão aquela abertura para os burocratas censurarem qualquer coisa.

Para mim, a vovozinha deve ter o direito de compartilhar a mamadeira de piroca no WhatsApp, a rapariga good vibes deve ter o direito de compartilhar a girafa fugindo da amazônia em chamas, ou o Átila dizer que vão morrer milhões de pessoas. Não defendo que possam fazer isso por que eu ache legal, mas o problema é que na tentativa de combater este subproduto da liberdade, nessa época de abundância tecnológica, terminaremos destruindo o que esta liberdade realmente deve proteger.

Os velhos liberais que tanto insistiram na liberdade de expressão insistiam por causa de quatro verdades e uma conclusão:

  1. existe verdade;
  2. essa verdade importa, na verdade ela é a coisa mais importante que existe;
  3. se nós abrirmos a discussão, é possível nos aproximarmos dessa verdade através do confronto de hipóteses;
  4. nenhum homem ou grupo de homens tem o conhecimento necessário para ditar que hipóteses podem fazer parte de um debate, porque a verdade não é propriedade de nenhum homem em particular ou grupo.

A conclusão é que nenhum homem ou grupo pode ter o poder de silenciar voz alguma, não porque o coro da estupidez importe, mas porque você não sabe de onde a verdade virá e não quer impedir que ela venha.

Chesterton ensina que saímos de um entendimento de liberdade que vem de "A verdade é importante, então é preciso soltar a discussão para que possamos nos aproximar dela" a um entendimento de que "não há verdade, então tanto faz o que uma pessoa diz."

Como é característico da abundância do nosso tempo que sejamos bombardeados por tantos exemplares desta última, baixamos a guarda e estamos cada vez mais dispostos a sacrificar a primeira.

Um dos principais problemas do jornalismo, é um problema de expectativas mal posicionadas. Muitas pessoas procuram os meios de notícias para se informar do que está acontecendo, elas crêem no jornalismo como se fosse uma espécie de história em tempo real, no qual nos situamos no estado das questões nominalmente abordadas em suas devidas colunas.

A verdade não poderia ser mais distante disso. O máximo que se tira do jornalismo atual é um panorama geral das opiniões que nos são oferecidas, ou seja, o estado do jornalismo.

Fica aquela punheta tautológica redundante, onde o mentiroso cita aquele que falta com a verdade. Surge, portanto, as agências de checadores que ninguém checa e fica essa espécie de Banco Central das notícias, gerando apenas a ilusão de que há fatos a serem noticiados, criando notícias sem lastro algum.

Pensando nisso, eis aqui o Deixa Rasta. Não quero saber o que diz a grande mídia, a pequena mídia, a média mídia… Traremos um jornalismo isento de notícias, livre dessa necessidade tarada de encontrar um furo para meter o dedo. Traremos aquelas velhas novidades, aquelas verdades perenes, que o vai e vem das notícias do dia faz com que esqueçamos.

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