Quem é o Lula? Para alguns o pai dos pobres, para outros um dos maiores corruptos da história. Conheça sua biografia

Redação Brasil Paralelo
Redação Brasil Paralelo
31/3/2022
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Quem é o Lula? De garoto pobre a presidente do Brasil, Luiz Inácio foi um importante líder da esquerda brasileira, fundador do PT (Partido dos Trabalhadores) e do Foro de São Paulo. De 2002 a 2010, Lula governou o Brasil e enfrentou acusações de escândalos de corrupção, como na CPI dos Bingos e no Petrolão.

Veja o resumo da biografia do presidente que comandou o país por quase 20 anos com detalhes de sua trajetória revelados.

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A biografia do ex-presidente Lula

Em 27 de outubro de 1945, nasceu Luiz Inácio da Silva, em Caetés. O local era apenas um distrito de Garanhuns, no estado de Pernambuco. Lula é o sétimo filho de Eurídice Ferreira de Melo e de Aristides Inácio da Silva.

Como viviam em uma região castigada pela seca, o pai migrou para São Paulo em busca de trabalho quando a mãe estava ainda grávida do futuro presidente. Conseguiu emprego de carregador num armazém de café em Santos, no litoral paulista.

Lula só foi conhecer seu pai com cinco anos de idade, em 1950. Aristides voltou a Pernambuco para visitar a família. Nessa época, o pai vivia em Vicente de Carvalho, no Guarujá, com Mocinha, uma prima de Eurídice com quem teve outros filhos. Ao todo, o pai de Lula teve 24 filhos conhecidos.

Em 1952, Lula, a mãe e os irmãos embarcam num pau-de-arara rumo a São Paulo. A família se estabeleceu em Vicente de Carvalho. 

Com sete anos, Lula começou a trabalhar para ajudar a sustentar a família. Atuou como ambulante em Santos junto com o irmão mais velho, José Ferreira da Silva, o Frei Chico. Depois trabalhou como engraxate.

A mãe de Luiz Inácio deixou o marido em 1955. No ano seguinte, mudou-se com os filhos para a capital paulista. Foram morar na Vila Carioca, no Ipiranga.

Lula trabalhou ainda como office boy, auxiliar numa tinturaria e nos Armazéns Gerais Columbia, seu primeiro emprego com carteira assinada.

Com 14 anos, em 1960, terminou o ginásio, ciclo escolar que hoje representa o ensino fundamental, e entrou no curso técnico de torneiro mecânico do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Conseguiu seu primeiro emprego como metalúrgico na Fábrica de Parafusos Marte.

Em 1963, aos 18 anos, formou-se no Senai e foi trabalhar como funcionário da Metalúrgica Independência. Em seu primeiro ano de trabalho perdeu o dedo mínimo da mão esquerda num acidente.

Lula foi demitido da Metalúrgica Independência em meio a uma discussão por aumento de salário, depois de 11 meses na empresa.

Em 1964, foi trabalhar na Fris Moldu Car, de onde foi demitido com apenas seis meses de trabalho por não comparecer ao serviço num dia de turno extra. Este ano foi crucial para os rumos que a vida de Lula tomaria.

  • Leitura recomendada: 1964 Ditadura Militar ou Regime Militar no Brasil?

O início da carreira política de Lula

Em 1967, Lula passou a trabalhar como operário das Indústrias Villares, em São Bernardo do Campo. Lá ele passou a frequentar o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema.

Seu irmão, Frei Chico, militante do clandestino Partido Comunista Brasileiro, incentiva Lula a entrar no sindicato e a envolver-se na política.

Em 1969, Luiz Inácio foi eleito para a diretoria do sindicato como segundo suplente. Esse foi o início de sua trajetória no movimento trabalhista que o alçaria à presidência.

No mesmo ano, o então metalúrgico se casou com a namorada, Maria de Lourdes. Em 1971, Lourdes, grávida de sete meses, ficou doente e foi realizado um parto prematuro. A mãe e o bebê morreram.

O atestado de óbito alega que ela morreu de “coma hepático, provável hepatite”, e que o filho teve morte intrauterina. Lula julga que as mortes ocorreram por negligência.

Viúvo, em 1972, Lula mudou-se para São Bernardo. Sua chapa no sindicato foi reeleita e ele passou a ocupar o cargo de primeiro secretário, dedicando-se cada vez mais à atividade.

Em 1973, começou a namorar a enfermeira Miriam Cordeiro, que engravidou e, em 1974, deu à luz Lurian, primeira filha do futuro presidente.

Ainda em 1974, Lula se casou com Marisa Letícia, também viúva e mãe do menino Marcos, com dois anos na época. Posteriormente, Lula adotou o garoto. O casal teve mais três filhos: Fábio Luiz, Sandro Luiz e Luiz Cláudio.

Marisa morreu em fevereiro de 2017, após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC). Atualmente, o ex-presidente namora a socióloga Rosângela da Silva, conhecida pelo apelido de Janja.

Em 1975, foi eleito pela primeira vez presidente do Sindicato dos Metalúrgicos. Lula ganhou fama de negociador: circulava desde o chão de fábrica até os salões da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Ainda não se dedicava diretamente à militância partidária, mas dedicou-se à oposição à ditadura quando Frei Chico foi preso e torturado no DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações — Centro de Operações de Defesa Interna).

Em 1978, foi reeleito presidente do sindicato. As famosas greves do ABC contra a ditadura ocorreram neste ano. Lula começou a projetar-se nacionalmente. Estima-se que as paralisações contaram com 150 mil trabalhadores.

No ano seguinte, o sindicato convocou uma greve geral. A adesão foi grande e o estádio de futebol da Vila Euclides, em São Bernardo, teve de ser utilizado para a realização de assembleias. As greves continuaram em 1980.

Apesar de a Lei da Anistia ter entrado em vigor em 1979, Lula e outros líderes sindicais foram presos com base na Lei de Segurança Nacional. Ele ficou preso por 31 dias. Neste período, sua mãe morreu.

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Foto do ex-presidente Lula no período em que foi preso pelo DOPS.

O então diretor do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), Romeu Tuma, autorizou a saída do prisioneiro para o enterro.

Em 1981, Lula foi condenado à revelia pela justiça militar a três anos e seis meses de prisão, mas o processo foi posteriormente anulado pelo Superior Tribunal Militar (STM).

Apesar das prisões, não deixou de envolver-se na fundação de um dos partidos mais proeminentes do período da redemocratização.

A fundação do Partido dos Trabalhadores e a projeção nacional de Lula

Em 1980, o Partido dos Trabalhadores foi fundado. No dia 10 de fevereiro ocorreu o ato de criação do partido no tradicional Colégio Sion, em Higienópolis, na capital paulista. O primeiro a assinar a ficha de filiação foi o militante comunista Apolônio de Carvalho, seguido do crítico de arte Mário Pedrosa, do crítico literário Antônio Cândido e do historiador Sérgio Buarque de Holanda. Em maio, Lula foi eleito o primeiro presidente da legenda.

O partido reuniu antigos guerrilheiros, intelectuais da esquerda, defensores da teologia da libertação e membros da esquerda que retornavam do exílio imposto pelos militares.

  • Leitura recomendada: A esquerda brasileira pautou suas ideias principalmente a partir de leituras de Karl Marx.

Nas eleições de 1982, o PT participou das disputas para os cargos de governador, senador e deputado federal e estadual. Lula concorreu ao cargo de governador, mas perdeu a disputa.

Nessa época, ele incorporou o apelido, e seu nome completo passou a ser Luiz Inácio Lula da Silva. Foi uma estratégia para ser mais facilmente localizado por seus apoiadores na cédula eleitoral.

O partido conseguiu eleger seus primeiros deputados federais e estaduais, e prefeitos. No ano seguinte, foi criado um dos seus principais braços políticos: a CUT.

Em 1984, Lula e o PT se engajaram na campanha Diretas Já, que reivindicava a imediata realização de eleições diretas.

Em 1986, Lula foi eleito, ocupou o posto de deputado e chegou a participar da Assembleia Nacional Constituinte, que elaborou a Constituição Federal de 1988. Ele recebeu o maior número de votos para o cargo na época, 651.763 no total.

Em 1989, as primeiras eleições diretas para presidente finalmente aconteceram. Lula lançou sua candidatura pelo Partido dos Trabalhadores.

Quantas vezes Lula se candidatou à presidência?

Lula e Collor disputaram o segundo turno e Collor venceu. O sindicalista não contava com as graças do povo. O discurso de Lula era muito à esquerda, suas ideias não agradavam. Especificamente num contexto de Queda do Muro de Berlim e do socialismo na Rússia.

Leitura recomendada: Como foi a formação da União Soviética?

A disputa eleitoral de 1994

Para a eleição de 1994, Lula chegava com força e com o mesmo discurso. Houve até a tentativa de costurar uma aliança com o PSDB, com o hoje senador Tasso Jereissati (CE) do lado tucano.

Tudo parecia encaminhado para a eleição de Lula, mas um novo personagem entrou no jogo. Fernando Henrique Cardoso era o ministro da Fazenda de Itamar e coordenou o lançamento do bem-sucedido Plano Real.

Com suas medidas econômicas, os brasileiros conseguiram o que tanto esperavam: o controle da inflação. A legenda PT e PSDB foi desmontada e a disputa pela presidência perdida. FHC foi eleito no primeiro turno.

A disputa eleitoral de 1998

Em 1997, foi aprovada a emenda constitucional que permitia a reeleição para presidente da República, governadores e prefeitos. Mesmo em meio às acusações de compra de votos de deputados, FHC foi reeleito, em 1998, vencendo de novo no primeiro turno.

Lula mudou a estratégia. O sindicalista revolucionário não agradava a população e ainda preocupava importantes setores.

A disputa eleitoral de 2002

Para mudar o quadro, Lula impôs ao partido novas alianças, fugindo do escopo tradicional de grupos ligados a legendas de esquerda.

Buscou para vice um representante do empresariado, o então senador José Alencar (MG), fundador da Coteminas e ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), e firmou aliança com o PL.

Antes de a campanha ser lançada, o então prefeito de Santo André, Celso Daniel, que havia sido escolhido como coordenador do programa de governo de Lula, foi assassinado.

Daniel foi sequestrado ao sair do restaurante Rubaiyat, em São Paulo, ao lado do empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra. Foi encontrado morto dois dias depois.

A Brasil Paralelo chamou seus melhores investigadores para revelarem detalhes sobre o controverso caso Celso Daniel. Quem mandou matar Celso Daniel? Não perca esse episódio do programa Investigação Paralela:

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O posto de Daniel na campanha foi assumido por Antônio Palocci, na época prefeito de Ribeirão Preto.

As polêmicas envolvendo o mistério de quem mandou matar Celso Daniel não prejudicaram a campanha de Lula.

O crescimento do petista nas pesquisas de intenção de voto em 2002 provocou uma crise nos mercados, em meio às dúvidas sobre qual seria a política econômica de seu governo.

Em campanhas anteriores, Lula havia feito discursos radicais propondo a suspensão do pagamento da dívida externa e a contenção dos lucros das empresas por meio de controle de preços.

Com o passar dos anos, Lula amenizou seu discurso e buscou tornar-se mais palatável para eleitores de fora da esquerda. Apesar da mudança, não conseguia apagar a imagem de radical que tinha em parcela significativa do empresariado.

Suas relações com sindicatos e movimentos como o MST também não o ajudavam a conquistar votos mais à direita. Em 2002, o banco Goldman Sachs chegou a criar o “lulômetro”, que pretendia prever como a vitória do petista afetaria o câmbio.

Entre os grandes partidos nunca houve oposição...

Normalmente tendemos a acreditar que o PT representa os interesses da esquerda brasileira, enquanto o PSDB representa os da direita. Mas isto está longe de ser verdade.

Você provavelmente já ouviu a expressão de que o brasileiro tem memória curta? Na nova república, PT e PSDB sempre estiveram lado a lado em torno de um projeto comum, mas isto se perde em meio a tantos fatos e notícias.

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Lula é eleito presidente

O Lula de 2002 tinha uma visão diferente do candidato que tentara chegar à presidência no passado. Em 10 de julho, ele lançou a Carta ao Povo Brasileiro, em que se compromete a:

  • cumprir contratos;
  • honrar a dívida externa;
  • honrar os acordos com o Fundo Monetário Internacional (FMI);
  • manter o controle da inflação.

Embora fosse crítico da política econômica do governo FHC, Lula manteve a mesma base, o chamado “tripé macroeconômico”, composto por:

  1. câmbio flutuante;
  2. metas de inflação;
  3. meta fiscal.

A cartada final de Lula pode ser analisada como uma jogada de marketing. Depois de três derrotas usando o mesmo discurso, o petista tenta romper com a fama de radical.

O publicitário Duda Mendonça foi o responsável por reformular a campanha de Lula. O candidato apareceu com o cabelo e a barba bem cortados, de terno e gravata, e já não se comportava como o sindicalista revolucionário.

Nascia aí o “Lulinha Paz e Amor”. A mudança ia além da aparência e da área econômica. Passava pela própria postura do político, seu tom de voz e a maneira como expunha suas ideias.

Duda Mendonça foi o grande marqueteiro da campanha. Ele havia sido responsável pelo marketing das campanhas vitoriosas de Paulo Maluf à Prefeitura de São Paulo, em 1992, e de seu sucessor, Celso Pitta, em 1996.

Durante o escândalo do mensalão, Duda admitiu na CPI dos Correios ter recebido dinheiro de caixa dois do PT no exterior como pagamento pelo trabalho. Ele foi absolvido pelo STF em 2012.

Segundo o portal G1 de notícias:

“Hoje, a legislação da colaboração premiada permite que um delegado negocie o acordo diretamente com o criminoso, submetendo os termos ao Poder Judiciário, ao qual cabe decidir sobre a validade, no chamado ato de homologação.
Duda Mendonça é o terceiro marqueteiro do PT a assinar delação. João Santana e Mônica Moura já fizeram delação na Lava Jato — a colaboração do casal já foi homologada pelo STF.
Em 2005, Mendonça confessou à CPI dos Correios ter recebido R$ 10,5 milhões pela campanha à eleição de Lula via caixa 2”.

Anos depois, em 2017, o marqueteiro firmou acordo de delação premiada na operação Lava Jato em que admitia ter recebido dinheiro de caixa dois da Odebrecht por sua atuação na campanha de Paulo Skaf (MDB) ao governo de São Paulo em 2014.

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Manchete da Gazeta denunciando o marqueteiro Duda Mendonça por se envolver em um esquema de corrupção.

Na quarta tentativa, Lula venceu a eleição para presidente. Derrotou o tucano José Serra no segundo turno com mais de 61% dos votos válidos e assumiu o posto em 2003.

As escolhas para a área econômica agradaram o empresariado e o mercado financeiro, e Palocci e Meirelles rapidamente ganharam popularidade nesses segmentos.

Paralelamente à política de austeridade fiscal, Lula lançou uma série de programas para atender a população de baixa renda, como o:

  • Fome Zero;
  • Bolsa Família — o Fome Zero foi integrado com outras iniciativas e transformado neste programa;
  • Luz para Todos;
  • Programa Universidade para Todos (Prouni).

A economia brasileira foi altamente beneficiada pelo ciclo de alta das commodities e o aumento das exportações. O governo quitou parte da dívida brasileira com o FMI e o país passou por um longo período de bonança econômica.

Lula lançou mão ainda de uma política externa expansionista, buscando fortalecer relações com mais países e dar ao Brasil uma posição de liderança entre as nações emergentes.

O primeiro mandato de Lula foi marcado também pelo Mensalão. Em 2005, em entrevista à Folha de S. Paulo, o então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), acuado por denúncias de irregularidades nos Correios, acusou o governo de pagar uma mesada a deputados para aprovar projetos.

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Manchetes sobre o escândalo do Mensalão.

O presidente não foi diretamente implicado, mas as denúncias derrubaram o ministro da Casa Civil da época, José Dirceu, poderoso articulador político do Planalto.

Ele foi substituído por Dilma Rousseff, que ocupava o cargo de ministra das Minas e Energia. Em 2012, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Dirceu.

As crises não pararam por aí. No ano seguinte, 2006, Palocci foi acusado de quebrar o sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa que, por sua vez, havia denunciado o ministro por frequentar uma casa em Brasília onde ocorriam encontros com lobistas.

Palocci caiu e foi substituído pelo economista Guido Mantega, que permaneceu no cargo até o final do primeiro mandato de Dilma, tornando-se o mais longevo ocupante da pasta.

Apesar das denúncias, o bom desempenho do governo em outras áreas, principalmente na economia, garantiu a reeleição de Lula em 2006. Ele derrotou o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) com mais de 60% dos votos válidos.

A reeleição do presidente Lula

Em 2007, Lula foi empossado em seu segundo mandato e lançou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que deveria ser um dos principais marcos do governo. Muitas obras, no entanto, sofreram atrasos, custaram bem mais que o previsto inicialmente e/ou foram envolvidas em anúncios de irregularidades. Algumas sequer saíram do papel.

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Infográfico apontado irregularidades no PAC de Lula.

No exterior, o cenário de bonança que perdurou por anos se encerrou. Em 2008, veio a crise financeira internacional, na esteira do estouro da bolha das hipotecas subprime nos Estados Unidos. Em 2009, o mundo entrou em recessão. O Brasil, no entanto, sofreu menos.

Lula chegou ao fim de seu segundo mandato com enorme popularidade no Brasil e fora dele. Nos oito anos de governo Lula:

  • quase 28 milhões de brasileiros saíram da pobreza, seguindo a tendência mundial de redução da pobreza extrema;
  • o presidente teve a aprovação de 87% da população ao deixar o cargo, segundo o Ibope;
  • a taxa de desemprego estava em 5,3% em dezembro de 2010, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE);
  • o salário mínimo foi aumentado em 53,6%.
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Gráfico apontando a queda do Índice de extrema pobreza no mundo.

Segundo o artigo “O Lulismo e os governos do PT” do historiador Rodrigo Patto Sá Motta”, o governo Lula ficou marcado por obter resultados significativos para a economia brasileira:

  • redução da dívida pública de 76% para 61% do PIB;
  • redução da inflação de 12,5% em 2002, para 3,1%, em 2006;
  • crescimento do PIB de 5,7% em 2004, 4%, em 2006, e 6% em 2007;
  • aumento das reservas em dólar do Brasil para cerca de 300 bilhões de dólares;
  • aumento do salário mínimo de 200 reais para 540 reais ao longo dos oito anos de governo;
  • baixa da taxa de desemprego de 13% para 6%;
  • redução na desigualdade social, segundo o coeficiente Gini, de 0,589 em 2002, para 0,527 em 2011.

Mesmo tendo deixado o cargo de presidente por não poder se reeleger outra vez, Lula continuou influenciando os rumos do país.

Lula agora é ex-presidente, mas ainda muito influente nas eleições

Em 2011, Lula foi diagnosticado com um câncer na laringe. Passou por cinco meses de um bem sucedido tratamento com quimioterapia e radioterapia. Houve a remissão completa do tumor e a recuperação do ex-presidente.

Depois disso, Lula atuou como cabo eleitoral do PT nas eleições municipais e usou seu prestígio ainda em alta para beneficiar candidatos, como seu ex-ministro da Educação Fernando Haddad, que venceu a disputa em São Paulo, em 2012.

Os principais escândalos de corrupção envolvendo Lula e o Partido dos Trabalhadores

Antes mesmo de conseguir algum posto no Governo Federal, Lula foi acusado de estar envolvido em esquemas de corrupção: Ronaldo Caiado, que também foi candidato presidenciável no 1º turno, denunciou a campanha de Lula. 

Naquela época, partidos políticos eram proibidos de receber dinheiro de empresas privadas. A alegação de Caiado é que o petista tinha recebido 200 mil dólares por meio de caixa 2 para aprovar um projeto da empresa Lubeka, em São Paulo.

A CPI dos Bingos

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Denúncia do esquema dos bingos pela revista Época.

Em 2004 estourou o primeiro grande escândalo de corrupção envolvendo Lula e o Partido dos Trabalhadores: o Escândalo dos Bingos. Waldomiro Diniz, um dos representantes dos interesses do Planalto no Congresso, foi filmado negociando propina em favor da campanha do PT.

Diniz negociava o dinheiro ilícito com o empresário Carlinhos Cachoeira, que filmou o evento e divulgou na mídia.

O evento levou à CPI dos Bingos, que ficou apelidada como “CPI do Fim do Mundo”. Ela investigou ainda vários outros casos, como:

  • os assassinatos dos prefeitos petistas, a saber, de Campinas, Toninho do PT; e de Santo André, Celso Daniel;
  • a “máfia do lixo” em Ribeirão Preto;
  • irregularidades e corrupção na Loterj;
  • o esquema do mensalão;
  • o caso da renovação do contrato entre a multinacional GTech e a Caixa Econômica Federal para o processamento de loterias;
  • a suposta entrada de dólares cubanos para ajudar a campanha do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da República;
  • a máfia do apito no Campeonato Brasileiro de Futebol.

A CPI dos Bingos teve papel importante na queda do então ministro da Fazenda Antônio Palocci, acusado de envolvimento com a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa.

O caseiro depôs na CPI e afirmou ter visto Palocci na “casa do lobby”. Local este onde empresários firmaram negócios ilegais visando o tráfico de influência no governo federal. 

Segundo denúncias, ex-assessores de Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto usavam a mansão para realizar festas e para firmar negócios com empresários. A mansão fica situada no Lago Sul, bairro nobre de Brasília.

Os depoimentos da CPI dos Correios levaram a um novo grande escândalo: o Mensalão.

O escândalo do Mensalão

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Roberto Jefferson denuncia o mensalão.

O esquema do Mensalão foi, até então, o maior esquema de corrupção da história do Brasil. O PT estava diretamente envolvido. Estima-se que 3 milhões de reais eram retirados das estatais brasileiras mensalmente para pagar propinas aos parlamentares. O objetivo era garantir a aprovação das medidas do governo Lula.

O escândalo estourou em 6 de junho de 2005, quando o deputado Roberto Jefferson disse ao jornal Folha de S. Paulo que o Partido dos Trabalhadores pagou a vários deputados 30 mil reais por mês para votar para legislação favorecida pelo partido na Câmara dos Deputados do Brasil.

O escândalo consistiu nos repasses de fundos de empresas, que faziam doações ao Partido dos Trabalhadores para conquistar o apoio de políticos. O esquema de corrupção começou em 2002 e só em 2005 foi descoberto, por meio de uma gravação secreta.

Nela, Maurício Marinho — na época chefe do departamento de Contratação dos Correios — foi flagrado recebendo propina de três mil reais em nome do deputado federal Roberto Jefferson, do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

Depois de o vídeo ter sido divulgado, Marinho fez uma delação sobre os detalhes do Mensalão:

  • o esquema envolvia os Correios, o PTB, o PT e o PMDB;
  • Delúbio Soares, então tesoureiro do PT, era responsável por entregar 30.000 de mesada para congressistas que apoiassem o governo Lula;
  • José Dirceu, Ministro da Casa Civil à época, foi acusado de ser o mentor por trás do esquema;
  • Kátia Rabello, então presidente do Banco Rural, foi acusada de realizar lavagem de dinheiro e empréstimos ilegais.
  • Marcos Valério, então publicitário do PT, foi acusado de ser o responsável pela entrega do dinheiro.

Enquanto Dirceu foi acusado de chefiar a organização do esquema de propina, José Adalberto da Silva virou manchete nacional ao ser encontrado com milhares de dólares na cueca, em uma passagem pelo Aeroporto de Congonhas.

Ele era assessor do deputado petista e foi encontrado com 100 mil dólares na cueca, além de 200 mil reais em uma maleta.

Dirceu assumiu a culpa e livrou o presidente Lula das acusações de envolvimento no esquema. Delúbio Soares e Marcos Valério também foram responsabilizados pelo caso.

O esquema de desvios era altamente organizado. Segundo investigações, havia dentro do esquema:

  1. O núcleo político: segundo o entendimento do Supremo, o esquema foi organizado por um núcleo político chefiado pelo então ministro da Casa Civil, José Dirceu, e integrado por outros três dirigentes partidários que integravam a cúpula do PT no início do governo Lula;
  2. O núcleo operacional: o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, dono de agências de publicidade que tinham contratos com o governo federal, foi condenado por usar suas empresas para desviar recursos dos cofres públicos para os políticos indicados pelos petistas;
  3. O núcleo financeiro: o STF concluiu que o Banco Rural deu suporte ao mensalão, alimentando o esquema com empréstimos fraudulentos, permitindo que os políticos sacassem o dinheiro sem se identificar, e transferindo parte dos recursos para o exterior.

Em 2006 viria ainda um novo caso de corrupção.

A Máfia dos Sanguessugas

Às vésperas de uma nova eleição, em 2006, foi denunciado um esquema que ficou conhecido como Máfia dos Sanguessugas. O dinheiro da União era desviado para os bolsos de políticos por meio da compra de ambulâncias superfaturadas.

Estima-se que 110 milhões de reais foram desviados nesse esquema. O escândalo estava ligado ao PSDB que disputava com Lula as eleições.

Serra almejava o governo de São Paulo e Alckmin a presidência do país. Deputados petistas tentaram comprar por um milhão de reais um dossiê que provaria a participação dos candidatos na máfia dos sanguessugas.

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Capa da revista Veja denunciando a Máfia dos Sanguessugas.

O objetivo era prejudicar as candidaturas dos membros do PSDB. O dossiê se provou falso e não serviu ao objetivo desejado.

Na mesma época, ainda em 2006, Marcos Valério pediu R$ 200 milhões para poupar Lula das delações. Valério avisou que acusaria Lula de comandar o mensalão se não recebesse o dinheiro exigido. O episódio ocorreu em 13 de fevereiro de 2006, segundo a Veja.

A Operação Lava-Jato

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Capa da revista Veja apontando a relação do PT com a Lava-Jato.

A investigação do Mensalão levou a mais um esquema, o da Lava Jato, em 2016. Executivos da Odebrecht pagaram campanhas dos marqueteiros João Santana e Mônica Moura na campanha do PT em 2010 por meio de Caixa 2 com dinheiro da estatal Petrobras.

Os marqueteiros acusaram todos os principais membros da cúpula do PT de saber do esquema, inclusive os ex-presidente Lula e a presidente Dilma.

Em 2014, foi lançada a Operação Lava Jato, capitaneada por uma força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) em Curitiba (PR). As decisões sobre as investigações de corrupção na Petrobras ficaram a cargo do então juiz Sérgio Moro, titular da 13ª Vara da Justiça Federal da capital paranaense.

A investigação atingiu rapidamente diretores da Petrobras, políticos e empresários de peso, empreiteiros principalmente. O PT ficou mais uma vez na berlinda.

O esquema consistia em licitações de obras públicas superfaturadas a empresas parceiras, como a Odebrecht e a OAS. O dinheiro adquirido era repassado entre os mentores do esquema.

Em 2016, Lula foi obrigado a prestar depoimento à Polícia Federal sob condução coercitiva, por ordem de Moro.

No mesmo ano, o presidente foi denunciado no caso do tríplex no Guarujá. A Procuradoria alegava que a reserva e a reforma do apartamento pela empreiteira OAS era uma propina dissimulada para Lula.

Moro condenou Lula no caso do tríplex, sentença que foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal (TRF), e o STF rejeitou o habeas corpus de Lula.

Em abril de 2018, Lula foi preso por ordem de Moro e permaneceu na carceragem da PF em Curitiba por 580 dias.

Após o mandato de prisão, passaram-se 26 horas para que o ex-presidente fosse de fato preso. Ele estava na sede do sindicato dos metalúrgicos em São Bernardo do Campo. Seus militantes impediam tanto a chegada da polícia ao local, quanto a entrega voluntária de Lula.

Lula pediu que o cordão humano fosse dissipado para não prejudicá-lo no processo penal. Por fim, entregou-se à polícia e foi levado para uma cela em Curitiba.

A condenação e a prisão, e a inelegibilidade decorrente da Lei da Ficha Limpa, tiraram Lula do páreo nas eleições presidenciais de 2018. Até aquele momento, ele liderava as pesquisas de intenção de voto.

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Manchete denunciando o caso do Triplex de Lula.

Lula foi condenado a nove anos e seis meses de prisão por lavagem de dinheiro e corrupção passiva, no caso do triplex do Guarujá. O triplex foi acusado de ser uma propina da OAS em troca de benefícios em contratos da Petrobras. O petista é réu em outras ações penais:

  • Lula foi condenado por 12 anos e 11 meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do sítio de Atibaia;
  • Lula foi denunciado por ter recebido 4 milhões de reais em doações da Odebrecht para o Instituto Lula, entre 2013 e 2014. O dinheiro foi visto como uma forma de lavagem de dinheiro;
  • a Lava-Jato denunciou Lula por ter negociado com a Odebrecht um terreno para a instalação do Instituto Lula e um apartamento vizinho ao seu, em São Bernardo do Campo (SP), no total de 13 milhões de reais.

O caso do Triplex envolve ainda outras polêmicas que não foram noticiadas... entenda:

Das investigações da Lava-Jato, descobriu-se todo o mecanismo de corrupção que envolvia as estatais, as empreiteiras e o PT.

O escândalo do Petrolão

“Petrolão” é um esquema bilionário de corrupção na Petrobras, que ocorreu durante o governo Lula e Dilma. É o maior escândalo de corrupção da história brasileira. Ele envolve:

  • cobrança de propina das empreiteiras;
  • lavagem de dinheiro;
  • evasão de divisas;
  • superfaturamentos de obras contratadas para abastecer os cofres de partidos, funcionários da estatal e políticos.

Esse esquema é alvo de investigações da Polícia Federal por meio da operação Lava Jato.

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Mapa mental do esquema do Petrolão.

A Petrobras contratava empreiteiras para grandes obras. Funcionários da Petrobras cobravam propina das empreiteiras para fechar contratos superfaturados com a estatal.

De acordo com o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, os contratos eram superfaturados, em média, em 3%.

Por exemplo, numa obra contratada pela Diretoria de Abastecimento, orçada inicialmente em 1 bilhão (valor de mercado), a Petrobras pagava 1 bilhão e 30 milhões para a empreiteira.

Desse sobrepreço de 30 milhões pagos a mais pela Petrobras, 20 milhões ficavam com o PT, e os 10 milhões restantes eram destinados ao PP, ao diretor da estatal e ao operador responsável pela distribuição do dinheiro.

O destino desse dinheiro em geral era:

  • parte do dinheiro roubado era doada pelas empreiteiras para partidos políticos nas suas campanhas eleitorais;
  • parte do dinheiro era desviada para contas no exterior. Por exemplo, as empreiteiras contratavam serviços de empresas fictícias e realizavam o pagamento em contas fora do país cujo destino final seria partidos e políticos;
  • parte do dinheiro era desviada por meio de compra de bens e reformas de imóveis para políticos. A acusação das reformas pagas pela OAS e pela Odebrecht de um tríplex e de um sítio, supostamente pertencentes a Lula, se enquadra nesta categoria.

Na época, os diretores das estatais que participavam do esquema negociando com as empreiteiras foram nomeados pela chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

De acordo com a PF, o prejuízo que a Petrobras causou à nação foi de 42 bilhões de reais (veja aqui). O doleiro Alberto Youssef afirma que Dilma e Lula conheciam todo o esquema de roubo da Petrobras.

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Capa da revista Veja revelando que Lula e Dilma sabiam do esquema de corrupção na Petrobras.

Foi um rombo na empresa sem quaisquer precedentes na história do Brasil.

As investigações do BNDES

Desde que Guido Mantega deixou a presidência do BNDES e se tornou Ministro da Fazenda, em abril de 2006, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social tornou-se peça chave no modelo de desenvolvimento proposto pelo governo Lula e posteriormente pelo governo Dilma.

Desde a adoção dessa nova modalidade, o total de repasses do Tesouro ao BNDES saltou de R$ 9,9 bilhões — 0,4% do PIB — para R$ 440 bilhões — 8,5% do PIB.

Alguns desses empréstimos, principalmente aqueles destinados a financiar atividades de empresas brasileiras no exterior, eram considerados secretos pelo banco.

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Mapa dos rombos no BNDES.

Só foram revelados porque o Ministério Público Federal pediu na justiça a liberação dessas informações. Em agosto, o juiz Adverci Mendes de Abreu, da 20ª Vara Federal de Brasília, considerou que a divulgação dos dados de operações com empresas privadas "não viola os princípios que garantem o sigilo fiscal e bancário" dos envolvidos.

A partir dessa decisão, o BNDES é obrigado a fornecer dados sobre o que o Tribunal de Contas da União, o Ministério Público Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) solicitarem. Descobriu-se assim uma lista com mais de 2.000 empréstimos concedidos pelo banco desde 1998 para construção de usinas, portos, rodovias e aeroportos no exterior.

Alguns exemplos são apresentados a seguir:

  1. Porto de Mariel (Cuba): 957 milhões (682 milhões de dólares por parte do BNDES);
  2. Hidrelétrica de San Francisco (Equador): 243 milhões de dólares;
  3. Hidroelétrica de Chaglla (Peru): 1,2 bilhões de dólares (320 milhões de dólares pelo BNDES).

O que surpreende são as condições do empréstimo. Juros baixos, quase nenhuma exigência de garantia, tornando as operações suspeitas. Além disso, o fato de os dados dos financiamentos terem sido secretos.

Segundo a Revista IstoÉ:

“Brasil tomou calote de R$ 2 bi em negócios com Venezuela, Cuba e Moçambique. Conta inclui financiamentos do BNDES feitos durante os governos Lula-Dilma para obras de infraestrutura e exportações de carnes e aviões. A dívida pode recair sobre o Tesouro”.
  • O PT financiou diversas ditaduras latino-americanas a partir de investimentos do BNDES. Uma delas foi a Venezuela.

Apesar de todos os envolvimentos do ex-presidente e as provas apuradas nas denúncias, Lula teve todos os seus processos anulados.

A anulação dos processos contra Lula

Em novembro de 2019, o STF voltou atrás em sua decisão de autorizar prisão de condenados em segunda instância, e Lula, que estava enquadrado neste caso, saiu da cadeia.

Em março de 2021, o ministro do STF Edson Fachin decidiu anular todos os quatro processos contra Lula que tramitaram ou tramitam na Justiça Federal de Curitiba, por entender que aquele não era o juízo competente para julgar os casos. O ministro Fachin foi nomeado para o STF em 2015, pela presidente Dilma Rousseff.

Posteriormente, a decisão foi ratificada pelo plenário do tribunal. Os ministros avaliaram que os casos não tinham conexão com a Petrobras e, portanto, não podiam ser julgados na capital paranaense.

Em junho, o STF ainda julgou Moro suspeito no caso do tríplex, anulando todos os atos praticados pelo ex-juiz no processo. O plenário ratificou a decisão da Segunda Turma. O ministro Gilmar Mendes, responsável pelo voto vencedor, ainda estendeu a suspeição para o processo que diz respeito ao sítio em Atibaia usado por Lula e para ação que tratava de imóvel para o Instituto Lula.

Sem as imputações, Lula não se enquadra mais na Lei de Ficha Limpa, recupera seus direitos políticos e está livre para disputar as eleições presidenciais em 2022.

O Foro de São Paulo

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Lula e Fidel Castro em reunião do Foro de São Paulo.

O Foro de São Paulo é uma instituição internacional de esquerda, fundada em 1990 pelo ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e pelo ex-presidente de Cuba, Fidel Castro.

É a maior organização política da América Latina e está entre as maiores do mundo. Partidos legais e organizações criminosas participam do Foro de São Paulo. Por exemplo, grupos ligados ao narcotráfico e à indústria do sequestro, como as FARC e o MIR chileno.

De acordo com Lula, através do Foro de São Paulo, todos os partidos de esquerda da América Latina foram reunidos. Sua intenção e de Fidel Castro era recriar na América Latina o que havia sido perdido na Europa Oriental: governos socialistas.

Polêmicas recentes envolvendo o ex-presidente Lula

No dia 22/03/2022, a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça decidiu condenar o ex-procurador Deltan Dallagnol por danos morais contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na ação, o petista acusa o ex-chefe da força-tarefa da Lava Jato de violar sua honra e sua imagem numa entrevista à imprensa, em 2016, na qual exibiu uma apresentação de PowerPoint colocando-o no centro de uma organização criminosa.

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Slide do procurador Deltan Dallagnol.

Lula pede uma indenização de R$ 1 milhão no processo, mas perdeu na primeira e na segunda instância da Justiça, em São Paulo. O STJ julgou o recurso e fixou o valor da indenização em R$ 75 mil, que ainda será corrigido pela inflação.

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