Hitler na Argentina – Ele não se matou e conseguiu fugir. Verdade ou mentira?

Redação Brasil Paralelo
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Hitler realmente se matou? Alguns pesquisadores afirmam a presença de Hitler na Argentina, Paraguai e até mesmo no Brasil. Seu corpo nunca foi encontrado e alguns documentos permitem algumas teorias. Afinal, qual foi o real paradeiro do Führer?

Entre 1945 e 1950, falava-se muito sobre a fuga do ditador alemão. Após este período, o assunto perdeu sua relevância, exceto para os sensacionalistas.

A Argentina, que alguns sugerem ter recebido Hitler, não é mais a potência econômica que um dia já foi. Entenda o que aconteceu com esse país e sua relação com o Brasil, assistindo à trilogia A Queda Argentina.

O que você vai aprender neste artigo?

  1. Qual é a relação da Argentina com os nazistas?
  2. Uma conferência nazista na Argentina;
  3. Adolf Eichmann, de fato, esteve na Argentina;
  4. Hitler morou na Argentina?
  5. O disfarce de Hitler;
  6. A nova versão da morte de Hitler;
  7. As pesquisas que dizem que Hitler esteve na Argentina são confiáveis?
  8. O presidente argentino Domingo Perón e o totalitarismo.

Qual é a relação da Argentina com os nazistas?

Antes de abordar as teorias de que Hitler conseguiu escapar da Alemanha e viveu na Argentina, é necessário entender por que este país latino-americano é está tão habitualmente relacionado com o nazismo.

Rota do dinheiro nazista na Argentina

Acidentalmente, o pesquisador argentino Pedro Filipuzzi encontrou documentos com nomes de 12.000 simpatizantes locais do nazismo em um porão em Buenos Aires. No cabeçalho, lia-se: Congresso da Nação Argentina.

Filipuzzi, na verdade, havia encontrado uma investigação oficial sobre transferências que simpatizantes nazistas residentes na Argentina, enviavam aos bancos suíços durante a primeira fase do Terceiro Reich.

Por esta razão, o Centro Simon Wiesenthal pediu ao banco Credit Suisse que abrisse os arquivos das contas ainda latentes desde o final da Segunda Guerra Mundial.

A hipótese é que as contas poderiam revelar dinheiro saqueado das vítimas judias. Possivelmente, a lista foi elaborada entre 1941 e 1943, a pedido do presidente antinazista Roberto Ortiz.

Foi sob o governo do ditador Edelmiro Farrell que a comissão foi fechada e o documento com os 12.000 nomes queimado. Não sabiam, entretanto, que havia uma cópia.

Isto permitiu a reconstrução da rota do dinheiro nazista. Esta investigação é mais plausível do que sustentar que Hitler esteve na Argentina.

Os ditadores José Félix Uriburu e seu sucessor Agustín P. Justo abriram as fronteiras argentinas aos imigrantes do Terceiro Reich. Milhares de simpatizantes nazistas estavam radicados em Buenos Aires.

Uma conferência nazista na Argentina

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Em 1938, em Buenos Aires, aconteceu o maior evento nazista da América do Sul. No estádio Luna Park, mais de 20 mil partidários do nazismo alemão comemoraram o Day of Unity.

A comemoração se referia ao dia em que Hitler anexou a Áustria à Alemanha. O vice-cônsul americano W. F. Busser testemunhou o evento e relatou que todos os rituais executados nos cerimoniais alemães foram cumpridos. Seguiu-se à risca o vestuário e cantou-se o hino do Partido Nazista.

A comissão de investigação do Congresso informou que a organização do Partido Nacional-Socialista alemão no exterior contava com aproximadamente 1.400 membros na capital argentina.

Somavam-se aos nacional-socialistas mais 12.000 filiados à União Alemã de Grêmios e 8.000 de organizações nazistas locais.

  • Leia mais sobre como os socialistas organizavam-se, no artigo sobre a Internacional Comunista e seu projeto mundial.

Em meio à guerra, Hitler não foi capaz de trocar marcos alemães por dólares. A estratégia utilizada foi enviar a moeda alemã para Buenos Aires, trocá-las por dólares e retornar com o dinheiro para a Europa por meio do banco suíço Schweizerische Kreditanstalt.

A Argentina não era apenas uma rota de desvio para o dinheiro alemão, mas também um dos principais locais de fuga dos nazistas após a derrota na Segunda Guerra Mundial.

O jornalista argentino Jorge Camarasa, em seu livro Odessa al Sur. La Argentina como refugio de nazis y criminales de guerra, escreveu sobre a fuga de membros do alto escalão alemão para o país sul-americano.

O tema rendeu um filme na Netflix: Operação final. Ele é baseado na fuga de Eichmann, um dos principais organizadores do holocausto, para a Argentina.

Adolf Eichmann esteve, de fato, na Argentina

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Adolf Eichmann foi um SS-Obersturmbannführer (tenente-coronel) da Alemanha Nazista e um dos principais organizadores do Holocausto. No final da guerra, afirmou que:

“[…] daria saltos na sua sepultura de tanto rir porque sentir que tinha cinco milhões de pessoas na sua consciência seria para ele uma fonte de extraordinária satisfação”.

Uma equipe da Mossad, o serviço secreto de Israel, e agentes da Shin Bet capturaram Eichmann e o levaram para Israel. Seu julgamento recebeu grande publicidade, sendo coberto pelos meios de comunicação. O impacto foi tão grande que inspirou livros.

Eichmann em Jerusalém, de Hannah Arendt, foi um dos mais famosos, no qual Arendt descreve Eichmann com a frase “a banalidade do mal”.

Acusado de 15 crimes, incluindo crimes de guerra, crimes contra a humanidade e crimes contra o povo judeu, o tenente-coronel nazista foi considerado culpado e enforcado em 1962.

É verdade que a Argentina recebeu nazistas e simpatizantes. Mas será que o próprio Hitler esteve na Argentina?

Hitler morou na Argentina?

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Abel Basti é o jornalista argentino que mais escreveu sobre a presença de Hitler na Argentina. Seus livros El Exilio de Hitler e Tras los pasos de Hitler: La investigación definitiva são exemplos que sustentam a tese de que o ditador e sua esposa Eva Braun não se mataram, mas viveram e morreram na Argentina.

Para o pesquisador de 54 anos, eles fugiram para Barcelona e, depois de alguns dias, foram para a Argentina. Como o corpo de Hitler nunca foi encontrado, alguns documentos apontam que seus restos mortais foram queimados e levados para a URSS.

Abel Basti não só afirmou que Hitler esteve na Argentina, como também no Paraguai, Colômbia e no Brasil, em uma região próxima a São Paulo. O pesquisador afirmou que o ditador permaneceu durante anos na Patagônia.

Embora a versão oficial da historiografia afirme que Hitler e Eva Braun tenham se matado em 30 de abril de 1945 na Alemanha, Basti a contesta. Segundo ele, o ditador morreu nos anos 60 em terras argentinas.

Quais motivos endossam que Hitler morou na Argentina?

Em suas pesquisas, Abel Basti se ancorou principalmente em três documentos. Ele os considerou fundamentais para afirmar que Hitler não se matou.

  • Um deles, seria um registro de que Hitler embarcou em um voo da Áustria para Barcelona;
  • Outro, seria do FBI, indicando que o exército dos EUA gastou a maior parte de seus esforços para localizar Hitler na Espanha;
  • O terceiro, seria do serviço secreto britânico, apontando um comboio de submarinos com líderes nazistas e outro partindo em direção à Argentina e passando pelas Ilhas Canárias.

O submarino U-3523

O U-3523 era o mais moderno submarino da Kriegsmarine, a marinha alemã. Foi projetado para permanecer submerso por um longo tempo. Para alguns, Hitler tinha usado este submarino para escapar para a Argentina.

Havia indícios de que a Força Aérea Real britânica tinha afundado o U-3523, mas como não havia provas físicas, as teorias foram alimentadas.

Entretanto, o Museu de Guerra Naval, na península de Jutlândia, norte da Dinamarca, informou ter encontrado o submarino nazista em águas alemãs, no Estreito de Escagerraque, a uma profundidade de 123 metros.

Mesmo com o submarino localizado, as bases para teorizar a respeito da vida de Hitler na Argentina continuaram.

Basti também baseou-se em um documento secreto alemão que aponta a presença de Hitler em um avião que ia da Áustria para a Espanha entre 26 e 27 de abril de 1945.

“Foi uma comunicação oficial secreta com cópias para o piloto Werner Baumbach, que imigrou para a Argentina e levou consigo uma cópia. Baumbach, junto a outros conhecidos pilotos nazistas, trabalhou no projeto aeronáutico de Perón”.

Obviamente, para Basti, Hitler não estava com a mesma aparência para não ser reconhecido.

O disfarce de Hitler

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Basti relatou que Hitler mudou sua aparência a fim de não ser notado na Argentina. Disse que o ditador teria cortado seu cabelo até ficar quase careca, além de ter raspado seu bigode.

“O corte do bigode deixou à mostra uma cicatriz, sobre o lábio superior, que não era conhecida por gente comum”.

Além de ter mudado sua aparência, a tese é de que Hitler também tinha um clone.

Um sósia encontrado na Alemanha?

Se Hitler estava na Argentina, de quem era o corpo encontrado na Alemanha? Basti é enfático em sua afirmação:

“Nunca houve provas de sua morte. Não há perícias criminalísticas que demonstrem o suicídio. O Estado alemão deu Hitler como morto quase 11 anos depois, em 1956, por presunção de falecimento. Ou seja, legalmente, para a Alemanha, Hitler estava vivo depois de 1945. Não só vivo – não era um homem condenado pela Justiça; não havia ordem de captura, nem processo judicial. Enquanto Hitler se encontrava na Espanha, no bunker se representava uma grande farsa, cujo ator principal foi um dos duplos [sósias] de Hitler. Durante as últimas horas, o duplo foi drogado e preparado para que representasse o ato final”.

No entanto, os testemunhos e documentos que Abel Basti apresenta não são considerados confiáveis. Sua teoria para sustentar que um sósia de Hitler havia morrido em seu lugar está próxima da ficção.

Independentemente da aceitação de seu ponto de vista, Basti afirma que havia um plano de evasão para Hitler.

O apoio americano

De acordo o pesquisador argentino, milhares de nazistas fugiram para os Estados Unidos e foram recrutados para combater o comunismo. Em seus livros, explicou que foi feito um pacto secreto militar com os americanos e que Hitler havia se tornado um:

“[…] dinossauro vivo, protegido e refugiado”.

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A descrição dos passos de Hitler é detalhada. Seu estilo de vida, quem estava com ele, e outros detalhes.

“Hitler, que chegou a Argentina com 56 anos, viveu como um fugitivo. Com identidade falsa e tratando de passar o mais despercebido possível. Nos primeiros anos, viveu numa estância nas proximidades de Bariloche, depois em outras partes do país, já que trocou de residência em mais de uma oportunidade. Sempre acompanhado de seguranças, às vezes três. Sua atividade política se limitou a algumas reuniões com velhos camaradas e com alguns militares argentinos”.

Basti disse ter podido conversar com uma senhora que trabalhou para o ditador.

A empregada doméstica e a casa de Hitler na Argentina

Entre as testemunhas de Abel Basti está uma senhora idosa que disse ter sido contratada para ser a empregada de Hitler e de sua mulher em 1956. Basti manteve o nome da senhora em sigilo.

Segundo o jornalista, a idosa era convicta afirmando que era realmente Hitler.

Além disso, mesmo sem comprovação, a “casa de Hitler” já chegou a custar 75 milhões. Trata-se de uma propriedade construída em 1943 pelo arquiteto Alejandro Bustillo. O estilo é semelhante ao da casa de veraneio de Hitler em Obersalzberg, Alemanha.

A nova versão da morte de Hitler

De acordo com Abel Basti, Hitler morreu em Assunção em 3 de fevereiro de 1971, aos 81 anos de idade.

“Hitler morreu em 3 de fevereiro de 1971. Seu corpo está enterrado no Paraguai. Está em uma propriedade privada, em um bunker secreto, que atualmente é o porão de um hotel paraguaio, em Assunção. Houve até um militar brasileiro que viu uma cerimônia em 1973, em que havia umas 40 pessoas, a maioria idosas. Nessa cerimônia, o bunker onde Hitler está enterrado foi fechado”.

As pesquisas que dizem que Hitler esteve na Argentina são confiáveis?

Alguns dos trabalhos mais substanciosos sobre Hitler são:

  • Hitler, Ian Kershaw;
  • A Chegada do Terceiro Reich e sua sequência, Richard J. Evans;
  • Hitler, Marlis Steinert;
  • Armagedón – La Derrota de Alemanha, de Max Hastings;
  • O Dossiê Hitler – O Führer Segundo as Investigações Secretas de Stálin, Henrik Eberle e Matthias Uhl.

Em todas as pesquisas citadas acima, não há dúvida para seus autores de que Hitler se matou na Alemanha em 1945. Abel Basti, no entanto, não tem respaldo de nenhum desses trabalhos. Suas fontes representam especulações da época, sem apuração investigativa.

Muitas afirmações no livro de Basti carecem de testemunhos fidedignos e são repletas de especulações. Suas informações advêm principalmente de sugestões e indícios.

Quando as teses não são convincentes, ele afirma que os documentos foram falsificados. A história de Hitler na Argentina não é nova, mas Basti a elevou a partir de documentos secretos, como se “secreto” fosse sinônimo de “verdadeiro”.

Ainda assim, entre tantos relatos duvidosos e infundados, nem tudo é fonte de total descrédito. De fato, muitos nazistas escaparam para a Argentina de Juan Domingo Perón.

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O presidente argentino Domingo Perón e o totalitarismo

“Calcula-se que ao terminar a guerra, entre 1945 e 1955 – Juan Domingo Perón assumiu como presidente constitucional em 1946 – ingressaram legalmente na Argentina cerca de 80 mil alemães e austríacos […], havia criminosos de guerra e fanáticos nazistas, que foram recebidos de braços abertos pelo governo de Buenos Aires”.

Juan Domingo Perón foi o fascista da história argentina.

Em seu mandato como Secretário, a carga diária de trabalho foi reduzida, os trabalhadores ganharam férias e décimo terceiro salário. Ele usou os sindicatos como uma força política e seu apelo às massas agradou à direita e à esquerda.

Perón tornou-se o símbolo da distribuição de renda, igualdade social, disciplina rígida, forte nacionalismo e uma capacidade de impedir movimentos revolucionários radicais.

Era um profundo admirador do fascismo italiano, visitou a Itália e afirmou ter conversado pessoalmente com Mussolini.

Com simpatia pela Alemanha, a Argentina tornou-se um conhecido refúgio de nazistas no final da guerra.

A semelhança de Perón com os ditadores

Em 1946, Juan Domingo Perón assumiu o cargo de presidente da República Argentina.

Perón mudou a face do país, alavancando a indústria, nacionalizando empresas e criando uma nova classe média. Casas, escolas e centros de saúde foram construídos sob a supervisão de Eva Perón, a esposa do presidente, chamada de “mãe dos pobres”.

E assim Perón foi eleito novamente.

A direita e a esquerda, que a princípio o aceitaram, começaram a chamá-lo de autoritário e antidemocrático. Estes são os mesmos adjetivos usados para descrever Getúlio Vargas.

Sob Juan Domingo Perón, a Suprema Corte foi reduzida a um fantoche. O Estado se tornou sua propriedade pessoal. As empresas foram nacionalizadas permitindo cada vez mais troca de favores.

O patrimônio de Perón, em 1945, consistia em um automóvel, uma fazenda, um terreno e um mausoléu.

Quando foi exilado, seu patrimônio declarado era de:

Lingotes de ouro e prata, objetos de prata e ouro, joias, peças de marfim, 11 motocicletas, 19 automóveis, 1 avião, 2 lanchas, objetos de arte, 3 milhões de pesos em ações da empresa Santa María del Monte, e mais de 5 milhões de pesos de sua fundação, construções avaliadas em mais de 3 milhões de pesos, 2 edifícios, um deles na região mais cara de Buenos Aires.

Hitler não esteve na Argentina, apesar disso, sua forma totalitária de governar, assim como a de Mussolini, foi uma inspiração para Perón.

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